O processo de desamar é bem mais complicado que o de amar. Constatei isso há alguns anos, desde quando o amor em questão tornou-se sem sentido.
O amor que precisa se tornar desamor já tem vida há quase 4 anos... sem nunca ser um amor completo, pois sempre foi unilateral. Nem por isso um amor falso. Apenas frágil.
Porque o fim? Porque hoje aconteceu a separação. Desde que o amor se tornou amor, sempre estive junto ao ser amado. Isso não existe mais. Rompemos os laços que nos uniam. E se a máxima for verdadeira, de que "o que os olhos não vêem o coração não sente", há potencial de sucesso para esse desamor. Já que o amor foi um fracasso, já que não existe mais convívio, já que não existe mais esperança.
Talvez precise ser mais clara...
Amo uma pessoa há quase 4 anos. Escondi esse amor por mais de um ano, e quando me declarei, levei o primeiro fora. Ele me disse palavras-clichê de consolo, como "você merece alguém melhor", "você é uma pessoa muito especial", "seremos sempre amigos". O primeiro fora foi traumático, resolvi dar cabo ao sentimento, e cheguei a acreditar que tinha atingido meu objetivo. Ledo engano. O amor apenas se escondeu novamente. A amizade continuou, e cresceu, e consolidou-se. E o amor começou a ser grande demais e difícil de esconder. Quase dois anos depois do primeiro fora veio à tona a verdade, que o amor ainda existia, e mais um momento traumático. A dolorosa acareação, novamente palavras de consolo, aparentemente verdadeiras dessa vez. Até foi bom pois estava complicado guardar tudo só pra mim. Mas o combinado foi que, independente do que EU sentia, entre nós, só haveria a amizade. Então, alguns meses depois me deparei com uma situação que encarei, erradamente, como uma oportunidade. O encontrei só, imaginei que não existia mais um alguém na vida dele. Novo engano. Investi e levei o segundo fora. Esse terrívelmente doloroso. E assim aconteceu. Desde esse segundo fora, há três meses, vi nossa amizade, antes consolidada, totalmente sensível, abalada, destroçada. Eu me vi frustrada como nunca, a rejeição comprometeu demais nossa relação. Tentamos, dentro do possível recuperá-la, mas não chegamos nem perto de ter sucesso. E descobri que nossos dias juntos teriam fim. Sem mais nada em comum no cotidiano, e com uma amizade definitivamente comprometida, não vejo como reatar a cumplicidade. Adiei o máximo que pude esse último dia, nosso último momento. Ele aconteceu hoje. Fui forte o suficiente pra não permitir demonstrar sofrimento, pra não fazer desse instante, uma despedida. Agi como se fosse algo normal. Como se não tivessemos problemas evidentes, e como amigos, certamente nos veremos em breve. Nâo é verdade. Acabou. Claro que vamos nos reencontrar, mas nao sei quando, nem como, não vai ser por vontade dos dois. Não vai ser porque ele quer me ver.
Tenho dentro de mim, que a partir de agora, não há mais nenhum sentido em não lutar contra o amor que sinto. Até o fim ele permaneceu de olhos vendados. Até o fim ele recusou-se a enxergar em mim um alguém que o amava da forma mais pura que se possa imaginar. Da forma mais intensa que alguém pode amar. Ele recusou o sentimento mais bonito que já senti por alguém. Até o fim.
Por isso é necessário investir no processo de desamar. E esse é o primeiro episódio. O começo do fim.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
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