terça-feira, 3 de junho de 2008

Episódio Doze - Um Romance

Há uma diferença muito grande em viver uma paixão e ver uma paixão acontecer. Quando é com a gente, é difícil ser racional, manter o foco, a tranquilidade. Quando é com outra pessoa tudo parece tão simples.
Tenho uma amiga que está apaixonada e eu me tornei sua conselheira sentimental (logo eu... que piada!). E ela tem uma história bastante diferente da maioria das pessoas, pelo menos no quesito "relacionamentos". Ela é extremamente complicada. Por incrível que parece, bem mais complicada que eu. Apesar das minhas limitações, acho que eu tenho mais clareza nos meus sentimentos, nesse ponto e em relação a ela, tenho um auto-conhecimento mais profundo.
Talvez por saber como é difícil pra essa amiga se envolver com uma pessoa, que eu esteja tão animada com essa história. Gosto muito dela, e acredito que ela mereça viver esse momento, e mais que isso, ela precisa vivenciar algo novo.
Durante muitos anos ela se manteve fechada, não permitiu que ninguém se aproximasse o suficiente para conhecê-la de verdade. No meu ponto-de-vista, ela fazia um pré-julgamento das pessoas e quase sempre tinha expectativas irreais. Na realidade ela não falava comigo desse tipo de assunto, portanto deduzo que esse era seu pensamento.
Por vários motivos, alguns conhecidos outros que não me dizem respeito, ela finalmente enxergou que precisava de mudanças em sua vida (não me sinto capacitada a julgar, não sou terapêuta, nem tenho uma vida maravilhosa e exemplar pra ter propriedade no que escrevo, mas são conclusões vindas dela mesma, que eu concordo), e está mudando.
E surgiu uma pessoa. Não me lembro quando foi a primeira vez que falou dele, só sei, aos poucos ela se encantou por ele, e eu me encantei com a história.
Eles se conheceram no curso de especialização que ela faz. Os dois se encontram a cada duas semanas, por dois dias. Primeiro ela me falava dele como um cara que achou interessante, mas que era muito metido, muito diferente dela. Depois passou a falar dele com mais empatia, comentava da amizade que estava começando. Mas o cara namorava. Nessa fase eu não incentivava, mais ouvia, pouco falava. Apesar de nem sempre agir assim, tenho por princípio que homem comprometido é homem indisponível, seja qual for o grau do compromisso.
Enfim, ele terminou. Aí foi que ela se animou com a possibilidade da amizade ser algo mais. Como eles se vêem com pouca frequência, o processo foi lento. Um dia comentava comigo de uma conversa, no outro de um recadinho, ou um bate-papo no msn. E eu ficava excitadíssima com as novidades, com pequenos detalhes, com a euforia dela.
O cara tem dado sinais de interesse, mas como todo homem bem mais contidos que os sinais femininos. Ela travou uma batalha interna, a garota apaixonada versus a garota pessimista. Eu me acabo com essa história. Fico angustiada com o medo dela, passo mal de rir com as histórias, com os suspiros. E fico ansiosa também, esperando por novidades, e torcendo muito, pra que finalmente dê certo.
Quase sempre sou otimista até demais, excessivamente esperançosa. Mas acredito na possibilidade de sucesso desse flerte. Ela é que não acredita muito nisso, embora mostre dedicação pra tentar mudar seus pensamentos e investir em si mesma.
Enfim, fato é que esse romance tem feito bem pra mim. Nessa fase amargurada que vivo, perder a fé no amor é o que mais me assusta. Não quero ser uma pessoa mais dura do que já me tornei. Quero acreditar no romance, na paixão, na pureza dos sentimentos. A inocência eu já perdi. Aquela coisa estranha, aquela emoção quase infantil. Já esgotei minha cota. E com a história dela eu consigo não deixar meu coração endurecer demais.
Sinto um pouco de inveja. Mas sinto muito mais alegria de ver que ainda há esperanças. E que se a hora de todo mundo chega, a minha também deve chegar.

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